Por Cris Santos
Pesquisa mostra que a educação está no centro das prioridades dos brasileiros e reforça seu papel na ampliação de oportunidades, na formação cidadã e na construção de mudanças duradouras.
Há muito tempo ouvimos que o brasileiro quer mudança, mais oportunidades, melhores serviços públicos, trabalho, renda, segurança e perspectivas para seus filhos. Mas uma pergunta precisa acompanhar esse desejo: por onde começa uma transformação capaz de permanecer?
Acredito que a resposta sempre passa pela educação. Digo isso não apenas por atuar com educação cidadã e desenvolvimento social, mas principalmente por me reconhecer como fruto de uma educação que ampliou meus horizontes e possibilitou que eu conseguisse enxergar muito mais oportunidades para a minha própria vida. Uma educação que abriu portas e me deu instrumentos para ocupar espaços que, em outros momentos, poderiam parecer distantes.
Por isso, acredito profundamente no poder transformador da educação não apenas como uma frase bonita, mas como algo que reconheço na minha própria trajetória.
Uma pesquisa divulgada recentemente pelo Todos Pela Educação mostra que esse tema também está presente nas preocupações da população brasileira. O levantamento “O que a população pensa sobre a educação | 2026”, realizado pelo Instituto IDEIA, ouviu 20 mil pessoas, com 16 anos ou mais, nas 27 unidades da Federação. Para 71% dos entrevistados, a atuação dos governos na educação influencia o voto, e 83% defendem que a área esteja entre as três prioridades dos governadores nos próximos quatro anos.
Esses números chamam a atenção porque dizem muito mais do que “educação é importante”; eles mostram uma população que relaciona educação às escolhas sobre os rumos do país.
E há outras mensagens importantes nos dados: entre as prioridades apontadas para os próximos anos, 53% mencionam melhores salários e condições de trabalho para professores, 48% defendem a ampliação dos cursos técnicos e 47% apontam a alfabetização das crianças até o final do 2º ano. Ao mesmo tempo, apenas 25% concordam que as crianças estejam aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado, e somente 27% consideram que a escola pública prepara bem os jovens para o mercado de trabalho.
A população quer mudança e está dizendo onde percebe que parte dela precisa acontecer.
Quando uma criança é alfabetizada na idade certa, não estamos falando apenas de uma estatística educacional; estamos falando das possibilidades que ela terá ao longo da vida. Quando um jovem encontra formação técnica de qualidade, falamos também de trabalho, renda, autonomia e futuro. Quando um professor é valorizado, estamos falando das condições oferecidas a quem participa diariamente da formação de milhões de brasileiros.
É por isso que educação não pode ser tratada apenas como mais uma pauta entre tantas outras. Ela precisa atravessar, na prática, todas as grandes transformações que desejamos para o Brasil.
Mas existe uma dimensão dessa discussão que considero igualmente necessária: a educação cidadã.
Não basta formar pessoas para o mercado de trabalho. Precisamos formar cidadãos capazes de compreender a sociedade da qual fazem parte, buscar informações confiáveis, conhecer seus direitos e deveres, entender o funcionamento das instituições e acompanhar as políticas públicas.
Em período eleitoral, isso ganha ainda mais importância. Afinal, se 71% dizem considerar a atuação dos governos na educação quando votam, é necessário também que existam condições para conhecer resultados, interpretar indicadores, compreender as responsabilidades de cada cargo e analisar as propostas apresentadas.
Isso é Inteligência Cidadã: informação que se transforma em compreensão e compreensão que permite participação consciente.
A democracia começa no voto, mas não termina nele. Depois da eleição existe um país inteiro que continua precisando de cidadãos presentes, atentos e participativos. Essa é uma das mensagens mais importantes que podemos extrair dessa pesquisa.
O brasileiro deseja mudança. Mas mudança consistente não acontece apenas quando mudamos quem ocupa os espaços de decisão. Ela também acontece quando ampliamos as condições para que as pessoas compreendam, participem, cobrem e construam.
Eu sou fruto da educação e muitas das oportunidades que tive começaram porque, em algum momento da minha trajetória, aprender ampliou aquilo que eu acreditava ser possível. Por isso, continuo acreditando nela.
Se queremos transformar realidades, precisamos ampliar oportunidades. Se queremos ampliar oportunidades, precisamos investir em pessoas. E, se queremos investir verdadeiramente em pessoas, a educação continua sendo um dos nossos caminhos fundamentais.
Educação não transforma apenas currículos; transforma possibilidades.
Conheça a pesquisa “O que a população pensa sobre a educação | 2026”