O amadurecimento da consciência cidadã produz um efeito que poucas pessoas comentam: o de libertação.
No entanto, antes de libertar completamente, também assusta. Enquanto vivemos na infantilidade cidadã, acreditamos que sempre haverá alguém responsável por resolver os problemas da sociedade. Depositamos nossas esperanças em governantes, juízes, líderes, instituições ou em qualquer figura que pareça suficientemente forte para assumir essa missão.
É uma sensação confortável, mas que não passa de mera ilusão.
É só quando a consciência desperta que passamos a perceber que nenhuma sociedade permanece justa apenas porque possui boas leis ou instituições. Elas dependem, todos os dias, da integridade de pessoas e da participação vigilante dos cidadãos.
Essa descoberta pode provocar medo, gerar insegurança e até produzir um sentimento de impotência. Esse é o efeito colateral do amadurecimento.
Mas não podemos confundir o desconforto da verdade com um motivo para voltar à ilusão. Assim como um tratamento médico pode causar reações adversas antes de produzir a cura, o despertar da consciência também exige um período de adaptação.
O medo não é um sinal de que devemos desistir, mas de que estamos enxergando a realidade com mais profundidade. A verdadeira maturidade cidadã começa quando compreendemos que não somos espectadores da história. Somos corresponsáveis por ela.
A partir desse momento, a pergunta deixa de ser “Quem vai resolver?” e passa a ser “Qual é a minha responsabilidade nessa transformação?”.
É exatamente neste momento que nasce a Consciência Cidadã Participativa Transformadora. Não para eliminar as dificuldades do mundo, mas para eliminar a ilusão de que alguém fará, sozinho, aquilo que depende de uma sociedade inteira.
O despertar pode assustar. Mas permanecer adormecido custa muito mais caro. Somente cidadãos conscientes conseguem transformar a preocupação em responsabilidade, o medo em coragem, a indignação em participação e a esperança em ação coletiva.
A transformação do nosso país não começará em gabinetes, tribunais ou em uma eleição. Ela começará quando milhões de brasileiros compreenderem que o futuro do Brasil é da nossa conta, e ele começa agora.
Artigo escrito pelo nosso fundador, Paulo Cavalcanti.