O 2 de Julho e a independência que ainda estamos construindo

Por: Movimento Via Cidadã

07/07/2026

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Por Cris Santos

A história da Bahia foi escrita pela coragem de um povo que escolheu lutar pela liberdade. Em 2 de julho de 1823, homens e mulheres de diferentes origens uniram-se para consolidar a Independência da Bahia, tornando efetiva a independência do Brasil em nosso território. Mais do que um episódio histórico, o 2 de Julho tornou-se um símbolo da força da participação popular e da capacidade de um povo de transformar o seu destino.

Diferentemente de muitos acontecimentos conduzidos apenas por grandes líderes, a Independência da Bahia foi construída pelo povo. Negros, indígenas, agricultores, artesãos, militares e voluntários compreenderam que a liberdade não seria concedida, mas conquistada. Nomes como Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa representam milhares de baianos anônimos que fizeram da coragem um instrumento de transformação.

Mais de dois séculos depois, essa história continua nos desafiando a refletir. Afinal, que independência estamos construindo hoje?

Vivemos em uma democracia, com direitos assegurados pela Constituição. Entretanto, ainda enfrentamos desafios que limitam o pleno exercício da liberdade: desigualdades sociais, exclusão produtiva, dificuldades de acesso à educação de qualidade, desinformação, intolerância e a baixa participação da sociedade nas decisões que impactam a vida coletiva.

A independência do século XXI não será conquistada nos campos de batalha. Ela será construída nas escolas, nas universidades, nas comunidades, nas organizações da sociedade civil, nas empresas e nas instituições públicas. Será resultado da educação, da cidadania ativa, do empreendedorismo, da inovação social e do compromisso permanente com o bem comum.

Se no passado lutamos contra a colonização, hoje somos chamados a superar novas formas de dependência que comprometem o desenvolvimento da sociedade. A desigualdade, a exclusão, a desinformação e a indiferença também limitam a liberdade e impedem que milhões de brasileiros desenvolvam plenamente seu potencial.

Superar esses desafios exige mais do que políticas públicas. Exige cidadãos conscientes de que democracia não se resume ao voto, mas se fortalece pela participação, pelo diálogo, pela ética, pela corresponsabilidade e pelo compromisso com a construção de soluções coletivas.

Celebrar o 2 de Julho, portanto, é muito mais do que reverenciar os heróis da Independência. É reconhecer que a liberdade conquistada em 1823 precisa ser renovada diariamente por meio da participação cidadã, da valorização da educação, do fortalecimento das instituições democráticas e do desenvolvimento social.

Hoje, os baianos vão às ruas festejar a Independência do Brasil na Bahia, mas uma pergunta permanece atual: que formas de colonização precisamos combater hoje? A colonização da desinformação, da corrupção, da desigualdade, da intolerância, da exclusão produtiva ou da indiferença diante dos desafios coletivos?

Artigo escrito por Cris Santos, diretora executiva da Fundação Paulo Cavalcanti e Movimento Via Cidadã.