Mais um importante passo na caminhada que leve a uma educação transformadora das pessoas e do ambiente de negócios no Brasil. Este foi o sentimento durante a participação da empreendedora, consultora e ativista Monique Evelle no Ciclo de Debates do Núcleo de Educação e Cultura da Associação Comercial da Bahia (ACB), nesta quarta-feira (24), no canal ACB Lives no YouTube.

Com mediação do professor Ney Campello, coordenador do Núcleo, e intervenções de Paulo Cavalcanti, vice-presidente da ACB e idealizador do Movimento Via Cidadã, o encontro apresentou como tema condutor “Educação e Empreendedorismo: Motivos para investir na Bahia”, e teve seu clímax em uma convocação profética feita por Monique: “O Brasil começou em Salvador e vai recomeçar em Salvador”.

Além de falar sobre sua mais recente experiência, coordenar um hub de tecnologia em Salvador como consultora de inovação do Nubank, a convidada apresentou também outras iniciativas que desenvolve voltadas para a promoção da diversidade e da inclusão, dentre as quais, o Desabafo Social – laboratório de tecnologias sociais aplicadas à educação, comunicação e geração de renda; a Inventivos – ecossistema de aprendizagem para desenvolvimento pessoal e profissional; e a SHARP, hub de inteligência cultural.

Como indicou Monique, mesmo atuando em um setor que representa cerca de 27% do PIB do Brasil, muitos microempreendedores não se preparam para a criação de um negócio, não possuem ferramentas, acesso a conhecimentos e capital para gerir seus negócios. Por isso, seu maior objetivo é colocar o Brasil no Top 3 do ranking global do empreendedorismo para que as pessoas possam sair do empreendedorismo de sobrevivência e atuarem no empreendedorismo por autonomia. Mas, como declara, sua missão será mais efetiva se conseguir atuar coletivamente.

“Eu não vou conseguir fazer isso sozinha. Vou fazer junto com a Associação Comercial, com a Fundação Paulo Cavalcanti, com todos vocês que estão aqui, porque é assim que funciona. Eu não quero ficar em um lugar de exceção. Tudo que eu faço, desde o início, é para não ser exceção. Eu não quero ser a única pessoa do Nordeste de Amaralina a fazer determinada coisa. Eu quero que mais pessoas façam. Por isso eu continuo em movimento”, detalha a empreendedora.

Em uma apresentação descontraída e com conteúdo diversificado, Monique alertou ainda sobre a necessidade do brasileiro superar duas síndromes que travam o empreendedorismo no país. “Uma é a síndrome da autossabotagem. Outra é a que eu batizei de síndrome da reclamação e da oportunidade estagnada. Estamos sempre nesse modo de reclamar que está difícil, e quando estamos de frente para o gol, insistimos em chutar para fora. Às vezes não conseguimos aproveitar as oportunidades que estão à nossa frente”, exemplificou.

Como justificou Paulo Cavalcanti, com 54% dos trabalhadores baianos na informalidade, segundo dados do IBGE, é cada vez mais importante a orientação e o fornecimento de ferramentas para que os empreendedores possam legalizar seus negócios e atuar com mais segurança e resultados positivos.

“Por isso é importante divulgar e incentivar iniciativas como as apresentadas por Monique, que ofereçam suporte e serviços que contribuam para o fortalecimento dos pequenos negócios, dos microempreendedores, que impeçam este ciclo de abre e fecha de CNPJ. Somos nós, cidadãos organizados, que faremos com que o nosso país tenha normas e leis que se traduzam em um ambiente melhor para toda sociedade”, sugeriu o líder empresarial.

Ao classificar a palestra como “coronariana e com brilho nos olhos”, o professor Ney Campello destacou ainda a representatividade e estímulo que os estudantes brasileiros teriam se o conhecimento apresentado por Monique Evelle pudesse integrar a Base Nacional Curricular do Ensino Médio.

“Se eu fosse secretário de Educação do Estado ou da Prefeitura, convidaria a Monique para fazer a aula magna de abertura do ano letivo de 2022. A juventude precisa ouvir a juventude. Quem melhor poderia representar os desejos dos nossos jovens do que uma jovem líder oriunda desta mesma cidade desigual que é Salvador”, propôs o educador.