O episódio 92 do podcast É da Nossa Conta, que foi ao ar na segunda-feira (18), reuniu a professora e pesquisadora Tania Fischer e o presidente da Federação das Associações Comerciais da Bahia (FACEB), Paulo Cavalcanti, em uma conversa marcada por reflexões sobre gestão social, desenvolvimento territorial, crise institucional e consciência cidadã.
Doutora em Administração, professora titular da UFBA e coordenadora do Centro Interdisciplinar em Desenvolvimento e Gestão Social (CIAGS), Tânia Fischer afirmou que o Brasil ainda enfrenta dificuldades estruturais ligadas à sua própria formação social e territorial.
“Nós somos um país com vários territórios que têm identidades próprias e estamos sempre tentando construir uma identidade nacional. E essa identidade brasileira passa naturalmente pelo social”, afirmou.
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Gestão social além da pobreza
Durante o episódio, a pesquisadora defendeu uma ampliação do conceito de gestão social, normalmente associado apenas à assistência social ou à pobreza.
“A gestão social não se limita aos desassistidos. Nós temos que fazer gestão social da nossa própria vida. Os problemas de gestão social hoje estão no homem, na mulher, nos humanos”, declarou.
Paulo Cavalcanti relacionou o tema à função social da atividade empresarial e à necessidade de maior participação cidadã nas instituições.
“A empresa tem função social. Quem abre um negócio assume também responsabilidades sociais previstas na própria Constituição. Eu sou um ativista da consciência cidadã exatamente por entender isso”, afirmou.
Ao longo da entrevista, os dois também discutiram a crise de confiança nas instituições, a ansiedade social contemporânea e os impactos das transformações tecnológicas e da inteligência artificial sobre a vida humana e as relações sociais.
Imigração, memória e empreendedorismo
Outro eixo importante da conversa foi o papel da imigração na formação econômica e social da Bahia. Descendente de alemães, Tânia Fischer revelou que pretende desenvolver um projeto de pesquisa voltado à memória dos imigrantes que ajudaram a construir o setor produtivo baiano.
“Eu quero identificar quais foram os migrantes que construíram essa Bahia, tanto na indústria quanto no comércio”, disse.
Paulo Cavalcanti defendeu que essas histórias precisam chegar às escolas e à sociedade como instrumento de valorização da cultura empreendedora e da autoestima cidadã.
“O povo brasileiro precisa compreender a trajetória de quem começou com sofrimento, trabalhou, empreendeu e ajudou a construir riqueza e desenvolvimento”, afirmou.
O presidente da FACEB também apresentou iniciativas da Fundação Paulo Cavalcanti, como o Projeto Marsúpio, voltado ao acolhimento de empreendedores informais, e o Observatório Educacional do Beiru, iniciativa de mobilização social e participação cidadã em comunidades populares de Salvador.
Universidade e associativismo
A entrevista terminou com uma defesa da aproximação entre universidade, setor produtivo, associativismo e sociedade civil organizada.
“Temos muita gente com competência e capacidade de ajudar em projetos de transformação social. Precisamos trabalhar juntos”, afirmou Tânia Fischer.
O episódio reforçou a ideia de que desenvolvimento econômico, cidadania e gestão social não podem ser tratados como temas isolados, especialmente em um país marcado por profundas desigualdades regionais e sociais.