A edição baiana da Taça das Favelas 2025 chegou ao fim neste sábado, 30 de agosto, com as finais disputadas no Estádio de Pituaçu, em Salvador. No feminino, a seleção do Recôncavo venceu Cajazeiras por 6 a 0. No masculino, Santa Rita de Cássia bateu Abrantes por 4 a 1. Mais do que os resultados em campo, o evento consolidou a competição como uma plataforma de visibilidade para juventudes periféricas e um espaço de articulação social.
Criado pela CUFA (Central Única das Favelas), o campeonato já mobilizou mais de 800 mil jovens em todo o Brasil. Na Bahia, é realizado em parceria com a TV Bahia, reunindo times de diferentes territórios e promovendo também ações de formação e mobilização social. Antes das partidas, os atletas participaram de oficinas com temas como educação financeira, saúde e alimentação.
A edição deste ano contou também com a participação de parceiros sociais, como o Movimento Via Cidadã, que levou ao estádio uma placa com QR Code para a assinatura de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular voltado ao fortalecimento da saúde pública. A presença destas entidades reforçou o caráter ampliado da Taça, que ultrapassa o campo esportivo e avança sobre temas como dignidade, participação política e políticas públicas.
Para o presidente da CUFA Bahia, Márcio Lima, o torneio também tem servido como ferramenta de mobilização cidadã:
“Poder contar com parcerias como a da Via Cidadã é muito importante para a CUFA Bahia, para o nosso povo, para a população de favela e para toda a nação brasileira.”
A estrutura do evento também evidencia o crescimento do projeto no estado. Desde 2022, quando a primeira edição foi realizada na Bahia, os números avançaram em alcance e participação. Em 2023, foram 32 seleções de favelas mobilizadas, envolvendo 6,5 mil adolescentes. A final daquele ano registrou mais de 2,4 milhões de telespectadores, com liderança de audiência na TV aberta. A edição atual manteve a expansão e reafirmou o interesse público pelo torneio.
Segundo o presidente da CUFA São Paulo, Marcivan Barreto, a competição amplia o alcance das comunidades e depende de articulações consistentes:
“É a oportunidade das favelas se mostrarem pro mundo e, é claro, mostrar que sim, as favelas têm talento, que através do esporte a gente pode transformar vidas. Para isso, as parcerias são fundamentais. Sem elas, sem o poder público, nada disso seria possível. A gente precisa muito deles pra mostrar o que há de potência nas favelas.”
Com a conclusão da etapa baiana, os atletas agora aguardam a convocação das seleções estaduais que disputarão a fase nacional da Taça das Favelas Brasil. A competição reúne representantes de todo o país e tem ganhado visibilidade crescente, sendo hoje considerada a maior do mundo no seu formato.
Mais do que abrir portas para o futebol profissional, a Taça tem exposto uma realidade concreta: o esporte, quando tratado com seriedade e compromisso, pode ser ferramenta de desenvolvimento comunitário e de formulação política. E quando isso acontece com apoio direto da sociedade civil, como o que se viu em Salvador neste fim de semana, o impacto ultrapassa o campo e se espalha pelo território.