É da Nossa Conta!: Presidente da ACIJ destaca atuação no PDDU de Jequié e defende independência das entidades empresariais

Por: Movimento Via Cidadã

23/09/2026

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A participação das entidades empresariais nas decisões que afetam o desenvolvimento dos municípios foi um dos principais temas do episódio 110 do podcast É da Nossa Conta, lançado na segunda-feira (21). O convidado desta edição, Luzimar das Chagas Mota, presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Jequié (ACIJ), destacou a atuação da entidade nas discussões sobre o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) do município e defendeu uma relação de diálogo com o poder público, sem perda da independência institucional.

Empresário do setor hoteleiro e representante da hotelaria na região, Luzimar assumiu a presidência da ACIJ para o biênio 2026–2027 levando para a entidade uma trajetória marcada pela atuação associativista. Durante a conversa com o apresentador Paulo Cavalcanti, presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (FACEB), ele resumiu sua visão sobre essa relação em poucas palavras: “Parceria, sim. Dependência, não.”

ACIJ participa das discussões sobre o PDDU

Um dos exemplos apresentados pelo empresário foi a participação da ACIJ no debate sobre a revisão do PDDU de Jequié. Segundo Luzimar, a associação está trabalhando com representantes do setor da construção e uma consultoria especializada para analisar pontos da proposta e discutir possíveis alterações com a administração municipal.

Entre as questões levantadas está o percentual permitido para ocupação de terrenos em determinadas áreas da cidade. De acordo com o presidente da ACIJ, alguns parâmetros previstos na proposta poderiam limitar a utilização a 30% da área do imóvel, com reflexos sobre novos empreendimentos e o desenvolvimento urbano.

“Estamos negociando já com a Prefeitura, e esse projeto foi puxado para uma negociação para, quando voltar para a Câmara, voltar de uma forma diferente para a aprovação. Tinha um prazo curto e nós puxamos para um prazo maior para se fazer uma discussão e detalhar”, afirmou.

Luzimar relatou ainda que técnicos da administração municipal passaram a participar das discussões e que a Prefeitura concordou em fazer uma nova avaliação de pontos levantados durante o processo. A atuação, segundo ele, dá continuidade à participação da ACIJ em temas de interesse do setor produtivo local, como discussões anteriores envolvendo IPTU e o Código Tributário Municipal.

Associativismo como instrumento de representação

A entrevista também abordou um desafio recorrente das associações comerciais: mostrar ao empresário que a atuação coletiva não se resume à oferta de serviços ou vantagens individuais.

Paulo Cavalcanti defendeu o fortalecimento das entidades como espaços de orientação e representação, com estruturas como núcleos jurídicos, de gestão e de crise e reputação. Para ele, o associativismo ganha ainda mais importância diante de mudanças tributárias, novas legislações, fiscalizações e questões que atingem coletivamente quem empreende.

“Aqui não é clube recreativo para você receber em troca um desconto. É casa de pressão, casa de força, casa de voz, casa para você defender o seu negócio, mas com as pautas que são de todos”, afirmou Cavalcanti, ao citar questões como IPTU, taxas, fiscalização e outros temas que podem ser enfrentados coletivamente pelas entidades empresariais.

O presidente da FACEB também defendeu uma maior convergência entre as diferentes representações do setor produtivo. “Juntos nós somos mais fortes e juntos nós podemos representar nossos interesses. O prefeito vai nos ouvir, os vereadores vão nos ouvir”, disse.

Luzimar apresentou a experiência do setor hoteleiro como exemplo dessa atuação. Antes de chegar à presidência da ACIJ, participou da organização de empresários da hotelaria de Jequié e de municípios vizinhos para enfrentar problemas comuns ao segmento. Atualmente, a associação possui uma diretoria voltada à hotelaria, integrando o setor à estrutura da entidade.

O empresário também chamou atenção para a necessidade de ampliar o acesso à informação, especialmente entre pequenos negócios. Na sua avaliação, muitas dificuldades enfrentadas no cotidiano empresarial poderiam ser reduzidas com orientação adequada e maior aproximação com as entidades representativas.

Independência e renovação

Para Luzimar, representar o setor produtivo exige preservar a independência da associação diante de governos e grupos políticos.

“A associação comercial é independente, ela não é refém de nada”, afirmou. Segundo ele, a entidade deve dialogar com diferentes setores e avaliar propostas pelo interesse coletivo, sem transformar relações institucionais em dependência.

Outro ponto defendido pelo presidente da ACIJ foi a renovação das entidades. Luzimar considera a alternância de dirigentes necessária para permitir a entrada de novas ideias. Também apontou como desafio aproximar as novas gerações, diante da ainda reduzida participação de jovens nas associações empresariais.

Paulo Cavalcanti relacionou esse desafio à própria responsabilidade de quem assume uma entidade empresarial. “A gente assume um cargo, não é remunerado. É voluntário. A gente acredita no associativismo, acredita que é exatamente assim que vamos conseguir expressar as nossas verdadeiras vontades”, destacou.

Ao encerrar o episódio, Luzimar ressaltou a importância da informação, da experiência e da disposição para enfrentar os desafios de quem empreende. Para ele, administrar um negócio também exige capacidade de rever decisões, aprender e compreender que resultados duradouros não surgem de forma imediata.

O episódio 110 do É da Nossa Conta integra a série de conversas conduzidas por Paulo Cavalcanti sobre associativismo, ambiente de negócios e participação da sociedade civil organizada.

Confira o episódio completo AQUI.