É da Nossa Conta!: Davidson Botelho critica a normalização dos absurdos e cobra educação para mudar o Brasil

Por: Movimento Via Cidadã

08/10/2026

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Em conversa com Paulo Cavalcanti, empresário aponta falhas na formação cidadã, questiona a aplicação desigual das leis e defende maior participação da sociedade nas decisões públicas

A falta de educação cidadã e seus reflexos na convivência social, na segurança e no desenvolvimento do país foram os principais temas do episódio 112 do podcast É da Nossa Conta!, apresentado por Paulo Cavalcanti e lançado na segunda-feira (5 de outubro). O convidado foi o empresário Davidson Botelho, coordenador da Câmara de Turismo da Associação Comercial da Bahia (ACB), escritor e viajante profissional, com formação em gestão de negócios e gastronomia.

Com 26 anos de experiência no turismo e passagens por 90 países, Davidson levou ao programa reflexões sobre comportamentos cotidianos que revelam, segundo ele, problemas mais profundos da sociedade brasileira. O empresário criticou a ausência de orientação para o uso de novas tecnologias e serviços, citando exemplos envolvendo motocicletas, patinetes elétricos, aplicativos de transporte e ciclovias.

“A gente dá o brinquedo e não dá o manual de instrução”, afirmou. Para Davidson, não basta ampliar o acesso a bens e serviços sem investir na formação das pessoas. “Administrar e educar é a arte de repetir o óbvio todos os dias”, acrescentou, defendendo campanhas permanentes de orientação e respeito às regras de convivência.

Da indignação à participação

Um dos pontos centrais da conversa foi a preocupação com a naturalização de comportamentos inadequados e situações que deveriam provocar reação da sociedade. “As pessoas estão se conformando, normalizando o absurdo”, alertou Davidson, ao defender que a indignação precisa resultar em atitudes concretas.

Paulo Cavalcanti relacionou essa reflexão à crise de confiança nas instituições e à necessidade de fortalecer a consciência cidadã participativa. Para ele, a sociedade civil organizada deve assumir maior responsabilidade na construção de soluções para os problemas nacionais.

“Você isolado, sozinho, só vai reclamar em grupo de WhatsApp. Se organize”, afirmou Cavalcanti, ao defender a mobilização de associações, sindicatos, cooperativas e entidades empresariais.

O apresentador destacou que a classe produtiva brasileira possui força econômica e representatividade, mas precisa transformar essa dimensão em capacidade de organização e participação nas decisões políticas. Defendeu, ainda, uma campanha nacional de valorização da cidadania, do sentimento de pertencimento e da responsabilidade coletiva.

Leis, fiscalização e inclusão

O debate também abordou as diferenças na aplicação das exigências legais entre atividades formais e informais. Davidson relatou experiências no comércio e questionou situações em que empresas regularizadas enfrentam obrigações rigorosas, enquanto atividades semelhantes funcionam sem a mesma fiscalização.

A proposta, segundo ele, não é impedir o trabalho de quem está na informalidade, mas oferecer condições para sua regularização, com capacitação e segurança.

“A gente quer mexer para acolher”, afirmou, ao defender treinamento e orientação para trabalhadores informais, especialmente na manipulação de alimentos.

Para Cavalcanti, a dignidade humana deve orientar as políticas públicas, com atenção à educação, ao saneamento, à saúde e às oportunidades de inclusão produtiva.

Educação como prioridade nacional

Ao final, Davidson defendeu um projeto de longo prazo para a educação brasileira, começando pela formação infantil e avançando até o ensino superior. Para ele, o investimento educacional é a base para enfrentar problemas de segurança, convivência social e desenvolvimento.

“Eu ia acordar pensando em educação, ia dormir pensando em educação, ia passar o dia pensando em educação de qualidade”, declarou.

O empresário resumiu sua proposta em uma frase: “Você só tem uma bala, sua bala de prata: educação”.

Cavalcanti reforçou que esse processo precisa caminhar ao lado da participação organizada da sociedade, para que os cidadãos compreendam seus direitos, assumam responsabilidades e exerçam efetivamente seu poder de transformação.

Assista ao episódio completo aqui.