É da nossa conta!: Consciência cidadã e a evolução contábil em diálogo sobre o futuro do empreendedorismo na Bahia

Por: Movimento Via Cidadã

18/05/2026

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O cenário empresarial e contábil baiano encontrou um espaço de convergência e reflexão no mais recente episódio do podcast “É da Nossa Conta”, que foi ao ar nesta segunda-feira, 11.

Conduzido pelo empresário e líder associativista Paulo Cavalcanti, o programa recebeu o contabilista Altino Alves, atual presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado da Bahia (CRC-BA), e Maria Constança, vice-presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB) e figura histórica da contabilidade brasileira.

Mais do que uma entrevista, o encontro acabou se transformando em um rico debate sobre cidadania econômica, empreendedorismo, transformação profissional e o papel das instituições diante das mudanças sociais e tecnológicas que atravessam o país.

A força do associativismo e das entidades congraçadas

Um dos pontos centrais da conversa foi a importância da união entre diferentes entidades representativas. Maria Constança, primeira mulher contadora da Bahia a ingressar na Academia Brasileira de Ciências Contábeis, relembrou a trajetória construída ao lado de Altino Alves em defesa da categoria contábil.

Segundo ela, a aproximação entre o CRC-BA, o Sescap-BA e outras instituições fortaleceu não apenas a classe, mas também a capacidade de diálogo com a sociedade. “Juntos fomos bastante determinados, lutamos, conquistamos o nosso espaço e, cada vez mais, fizemos integração de uma forma unânime”, afirmou.

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Altino Alves destacou que o associativismo permanece como uma ferramenta indispensável para garantir representatividade institucional em um ambiente econômico cada vez mais complexo. “A gente sabe a necessidade do associativismo porque a gente busca entidades e empresas em busca do seu objetivo final. A gente sabe que dois é sempre mais do que um e quatro é mais do que dois”, declarou.

Paulo Cavalcanti também reforçou o papel das entidades na consolidação do Estado democrático de direito. Durante o programa, ele defendeu que a representatividade coletiva continua sendo um dos principais instrumentos de defesa do empreendedor e da sociedade civil organizada.

“A soberania popular, soberania do povo, quando elas se unem com um propósito único e numa representatividade, é através da união da associação, do sindicato, das cooperativas, que a gente consegue representar um Estado democrático de direito”, pontuou Cavalcanti.

O “Darwinismo Profissional” e a nova era da contabilidade

Ao longo da conversa, os participantes também analisaram as mudanças provocadas pela transformação digital e pela inteligência artificial no universo contábil.

Altino Alves afirmou que a profissão vive um processo acelerado de adaptação e utilizou o termo “darvinismo profissional” para explicar a necessidade de evolução constante. “É o profissional que vai se adaptando a essas mudanças. E isso, de certa forma, é o que vai consubstanciar para que tenha continuidade no mercado”, disse.

Maria Constança rebateu a ideia de que a tecnologia substituirá completamente o contador e defendeu a dimensão ética e estratégica da profissão. “O contador é soberano, o contador é ético, o contador é o profissional que todos precisam dele”, afirmou.

Paulo Cavalcanti observou que, diante das transformações econômicas, cresce também a responsabilidade social das empresas e dos profissionais. Para ele, o empreendedor moderno precisa compreender que desenvolvimento econômico e consciência cidadã não podem caminhar separados.

Reforma Tributária, informalidade e função social

A Reforma Tributária também ocupou espaço relevante no debate. Altino Alves alertou que a simplificação anunciada pelo governo não significa necessariamente redução da carga tributária. “O governo traz a ideia de simplificação, mas não quer dizer que essa simplificação quer dizer diminuição de imposto”, explicou.

Segundo ele, o período de transição previsto até 2033 exigirá maior organização contábil e planejamento das empresas, sobretudo em um cenário marcado por insegurança jurídica e mudanças regulatórias constantes.

Maria Constança destacou que a contabilidade continuará exercendo papel essencial nesse novo ambiente tributário, principalmente para pequenas e médias empresas que precisarão de acompanhamento técnico permanente.

Já Paulo Cavalcanti conduziu a discussão para o conceito constitucional da função social da empresa. Ele defendeu que o empresário comprometido com a formalidade, a geração de emprego e o desenvolvimento coletivo precisa ser valorizado como agente estratégico da sociedade.

Ao final do encontro, o debate avançou para questões ligadas à dignidade humana e à informalidade econômica. Paulo questionou a eficácia de campanhas públicas desconectadas da realidade social e afirmou que a verdadeira dignidade depende de segurança, oportunidade e serviços públicos eficientes.

Como encaminhamento prático, Altino Alves apresentou a campanha “Imposto do Bem”, iniciativa que estimula a destinação de parte do Imposto de Renda devido para instituições sociais baianas. “Parte daquele imposto que ele já paga, na verdade, ele não vai ter custo nenhum. Ele vai destinar parte daquele custo que já paga para estas instituições”, concluiu.