É da nossa conta! com Maribel Barreto: Consciência Cidadã é o caminho para transformar a humanidade

Por: Movimento Via Cidadã

18/04/2026

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No mais recente episódio do podcast “É da Nossa Conta!”, que foi ao ar na segunda-feira (13), Paulo Cavalcanti recebeu Maribel Barreto, embaixadora da paz pela ONU e doutora em educação, para um diálogo profundo sobre a urgência da consciência cidadã.

O encontro, pautado pela trajetória de Maribel no estudo da consciência humana, trouxe à tona a necessidade de saímos da teoria para a ação transformadora. Logo na abertura, Paulo deu o tom do debate ao afirmar: “É isso aí: o eu responsável, o eu atitude, o eu transformador. É assim que a gente vai mudar esse país”.

O Humanocentrismo e a Responsabilidade Individual

Maribel introduziu o conceito de humanocentrismo, inspirado no físico brasileiro Marcelo Gleiser, que coloca o ser humano como o centro do universo. Diferente de uma visão egoísta, essa perspectiva defende que, ao nos sentirmos centrais, assumimos a responsabilidade pelo que acontece ao nosso redor.

“A consciência nos convida a sair da teoria e vir para a ação”, afirmou a educadora, destacando que cada indivíduo deve buscar a excelência e não se contentar com a “mediana nacional”. Ela criticou o fato de instituições comemorarem notas medianas no IDEB, o que reflete uma aceitação da mediocridade perante a humanidade.

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O Desafio da Cidadania e o “Analfabetismo Funcional”

Paulo trouxe uma provocação sobre a realidade econômica e social do país, citando o impostômetro e o desequilíbrio fiscal como reflexos de uma política equivocada e falta de educação. Para ele, o Brasil sofre com a falta de alfabetização para a cidadania, onde muitos veem direitos básicos como saúde e segurança como “favores” do Estado, e não como obrigações constitucionais.

A discussão avançou sobre o analfabetismo funcional, um problema que persiste décadas após a Constituição de 1988. Paulo enfatizou a necessidade de elevar o nível de discernimento da população.

“No Estado Democrático de Direito a soberania é da maioria. Ela precisa de consciência crítica e analítica para que possa pelo menos exercer isso que você chamou de centro da humanidade”. Segundo ele, o cenário atual é preocupante, pois “a gente está com a ignorância sendo ferramenta de manutenção” do sistema.

Como solução, Maribel destacou a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de 2017, que prevê competências como autoconhecimento, empatia e cidadania. Contudo, ela alerta para a carência de projetos efetivos que apliquem essas leis na prática.

A educadora propõe a implementação da “tecnologia da consciência” e da meditação nas escolas e empresas, visando combater o adoecimento mental e a falta de sentido de vida que aflige a sociedade moderna.

Projetos para o futuro: Observatórios e o “Ser Consciente”

A parceria entre Paulo Cavalcanti e Maribel Barreto visa dar escala a esses conceitos através de iniciativas como o projeto “Ser Consciente”, que foca na formação teórica e prática em diversos segmentos sociais. Paulo também ressaltou sua luta pela implementação de Observatórios Sociais e pelo projeto de lei 3995/2025, que busca expandir nacionalmente a consciência de cidadania, cobrando a função social das empresas e a participação ativa da sociedade civil.

O episódio encerrou com um alerta sobre a desvalorização dos profissionais da educação. Maribel lamentou a falência das licenciaturas no Brasil e a falta de políticas de governo que incentivem a formação de novos docentes.

Paulo reforçou que as políticas educacionais devem ser permanentes e independentes de quem está no poder: “Pautas de nação, pautas estruturantes, pautas constitucionais, elas não podem estar sujeitas ao sabor de partidos políticos”.

A mensagem final de Maribel foi um convite à expansão: “A consciência não é local; ela expande à proporção que trabalhamos por ela e em prol da humanidade”. Como complementou Paulo, despertar para essa realidade não é apenas um desejo: “é algo que, definitivamente, é da nossa conta.”