Transparência com dados, pressão com consciência. Se antes sabíamos quanto o Estado arrecadava, agora passamos a enxergar com clareza quanto e com o que ele gasta. Essa virada de chave foi o tema do episódio do podcast É da nossa conta!, que foi ao ar em 21 de julho, com a participação de Cláudio Queiroz, consultor da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e coordenador do Gasto Brasil, plataforma lançada na sede da ACB dias antes, no evento que marcou os 214 anos da instituição.
Com fala direta, Queiroz apresentou os bastidores da criação da ferramenta e reforçou a urgência de uma nova cultura de controle social sobre os gastos públicos. “O cidadão agora só não sabe o quanto custa ao município, ao estado e ao Brasil se não quiser. Tá tudo lá. Aberto. Disponível. Colorido. Didático”, resumiu.
A plataforma Gasto Brasil (www.gastobrasil.com.br) é uma evolução natural do Impostômetro. Se este mede o quanto o governo arrecada, o novo sistema mostra o quanto e com o que ele gasta. Tudo em tempo real, com base nos dados do Tesouro Nacional. “Hoje, a conta não fecha. Gastamos mais do que arrecadamos. E essa diferença está sendo empurrada para os nossos bisnetos”, afirmou o consultor.
No bate-papo com Cavalcanti, Queiroz destacou o “mapa de calor” da plataforma, que colore o país conforme a intensidade dos gastos: vermelhos para os que mais gastam, amarelos para os mais contidos. E trouxe um exemplo direto: “Se um município gasta R$ 5.000 por habitante e o vizinho gasta só R$ 2.000, algo precisa ser questionado. Não é possível que os serviços sejam iguais”.
Mas a plataforma vai além de estatísticas. Sua missão é cívica: despertar no cidadão comum a consciência de que o dinheiro que entra no caixa do Estado vem do seu bolso, e que ele tem o direito e o dever de cobrar retorno. “O brasileiro médio gasta mais do que ganha. O Estado, também. Essa conta vai quebrar”, alertou Queiroz.
Durante o episódio, ele também apontou a necessidade de reformas estruturais — sobretudo na previdência e na administração pública — e defendeu que a sociedade organizada precisa assumir o papel de vigilante e agente de pressão. “Não quero que pare de gastar. Quero que gaste melhor.”
Um novo episódio do podcast “É da nossa conta!” vai ao está sempre ás segundas-feiras, a partir das 19 horas, nas plataformas de áudio e no canal da Fundação Paulo Cavalcanti no YouTube, oferecendo uma conversa franca sobre gestão pública, cidadania e os caminhos para um país mais eficiente.
Confira na integra o episódio desta semana: