André Joazeiro defende aproximação entre educação, pesquisa e empresas no É da Nossa Conta!

Por: Movimento Via Cidadã

11/09/2026

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A aproximação entre escolas, universidades, centros de pesquisa e empresas como caminho para transformar conhecimento em desenvolvimento econômico e social foi o principal tema do novo episódio do É da Nossa Conta!, lançado nesta segunda-feira (7). O convidado foi o arquiteto André Joazeiro, ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia e atual presidente do Conselho da Fundação DOM e diretor da Associação Comercial da Bahia (ACB).

Em conversa com Paulo Cavalcanti, Joazeiro defendeu uma educação mais conectada aos problemas concretos da sociedade e do setor produtivo. Para ele, essa formação precisa começar ainda na escola e estimular o estudante a pesquisar, experimentar e encontrar soluções.

A própria trajetória familiar foi usada para explicar essa visão. Filho de um homem que deixou Piatã, na Chapada Diamantina, aos 18 anos para estudar e mais tarde se formar em Direito, Joazeiro contou que cresceu ouvindo uma orientação direta: “Estude para você mudar de vida”. A experiência consolidou sua convicção sobre o papel da educação. “Só muda através da educação. É a minha tese. Não existe outra forma”, afirmou.

Para Paulo Cavalcanti, a discussão passa justamente pela capacidade de conectar conhecimento e desenvolvimento. “Aproximação maior entre universidades, centros de pesquisa e setor produtivo como caminho para o desenvolvimento socioeconômico”, destacou ao introduzir um dos principais temas da conversa.

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Ciência conectada à realidade

Durante o programa, Joazeiro apresentou experiências de educação científica desenvolvidas na rede pública e defendeu que empresas levem desafios reais para dentro dos clubes de ciência. Segundo ele, esse modelo permite que estudantes, professores, universidades e setor produtivo trabalhem conjuntamente na criação de softwares, aplicativos, produtos e outras soluções.

“Educação científica não tem livro, não tem apostila, não tem nada. Você recebe desafio e se vira para construir seu conhecimento”, explicou Joazeiro. Para ele, essa dinâmica ajuda a formar jovens preparados para investigar problemas e buscar respostas. “Isso lhe transforma numa pessoa curiosa e que sabe pesquisar. Eu estou formando o próximo pesquisador lá no futuro”, acrescentou.

Paulo relacionou essa possibilidade ao papel das associações comerciais e demais entidades empresariais nos municípios. Para ele, o associativismo pode funcionar como elo entre as demandas dos empresários, as escolas, as universidades e o poder público. “O associativismo é a junção coletiva dessas vontades”, afirmou.

O apresentador também defendeu que as entidades empresariais assumam uma participação mais direta nesse processo. “Se ela não se entender que está ali para também contribuir com o município, com a escola e a universidade, onde estão nascendo os novos alunos, os novos brasileiros, a gente não vai ter um país evoluído, competitivo”, afirmou Paulo.

Joazeiro explicou que um clube de ciência custa, segundo sua estimativa, cerca de R$ 60 mil por ano, incluindo bolsas para estudantes e professor e o custeio da pesquisa. A proposta é aproximar esses grupos de problemas apresentados pelas próprias empresas, fazendo com que o aprendizado deixe de ser apenas abstrato e passe a responder a desafios concretos.

“Apesar de nós termos montado dentro do governo muitos clubes de ciência, se não interagir com uma empresa, com um desafio concreto, desenvolvimento no mundo real, essa formação volta a ser o que era: uma formação genérica”, avaliou. Na visão de Joazeiro, é justamente a demanda real que permite ao estudante aprender a solucionar problemas e produzir inovação.

A conversa avançou ainda sobre inteligência artificial, formação profissional, inovação, revitalização dos centros urbanos e a necessidade de maior aproximação das universidades com o ambiente empresarial. Joazeiro citou o Porto Digital, no Recife, como referência de articulação entre tecnologia, formação e desenvolvimento urbano, ressaltando que iniciativas dessa natureza exigem mais do que incentivos fiscais: dependem de infraestrutura e formação de pessoas.

“Não é só dar um incentivo fiscal ou conseguir um aluguel barato. Tem toda uma infraestrutura e uma articulação de formação”, observou. Para ele, a construção desse ambiente precisa começar cedo: “Eu não tenho o pesquisador, eu não tenho o cara que desenvolve a startup, por quê? Porque eu não estou formando isso na escola.”

Paulo também defendeu uma articulação que reúna diferentes atores independentemente das diferenças políticas. “Estou falando de ciência, estou falando de tecnologia, estou falando de bem-estar social, de sentimento de pertencimento, de unidade, de desenvolvimento, que interessa a todos nós”, disse durante o episódio.

Ao final, o convidado resumiu sua visão em uma frase que marcou o episódio: “Eu não tenho esperança, eu tenho projeto. O negócio é trabalhar, fazer.” Para Joazeiro, a transformação depende menos da expectativa de que alguém encontre uma solução e mais da capacidade de organizar projetos e colocá-los em prática.

O episódio também antecipou a intenção de desenvolver, no âmbito da ACB, uma articulação entre universidades e associados voltada à aplicação de tecnologia e inteligência artificial nas empresas. “Botar IA nos associados da ACB, isso a gente vai fazer”, adiantou Joazeiro, ressaltando que o projeto ainda precisa passar pelas etapas de estruturação e aprovação antes do lançamento.

Confira o episódio completo AQUI.