Em conversa com Paulo Cavalcanti, presidente Conselho da Micro, Pequena e Média Indústria da FIEB destaca a importância da participação empresarial, cobra políticas de incentivo à pequena indústria e defende entidades mais próximas dos associados
A necessidade de fortalecer a representação dos micro e pequenos empresários e transformar o associativismo em instrumento efetivo de desenvolvimento econômico foi o tema central do episódio 115 do podcast É da Nossa Conta!, que foi ao ar na segunda-feira (02), apresentado por Paulo Cavalcanti. O convidado foi Raul Costa de Menezes, presidente do Conselho da Micro, Pequena e Média Indústria (COMPEMI) da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), fundador do Sindicato das Indústrias de Cosméticos e Perfumaria do Estado da Bahia (Sindcosmetic) e um dos idealizadores da ExpoTech Bahia.
Com uma trajetória de cinco décadas no associativismo, Raul relembrou que sua atuação começou em 1976, quando participou da fundação da Associação Comercial de Santo Antônio de Jesus. Na época, a primeira convocação para reunir os empresários não atraiu participantes. A entidade só foi constituída depois de uma mobilização com apoio do então prefeito da cidade.
A experiência serviu de ponto de partida para uma reflexão sobre um problema que permanece atual: a dificuldade de mobilizar empresários em torno de interesses coletivos.
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Representatividade começa pela participação
Durante a conversa, Raul questionou o distanciamento entre as entidades empresariais e os pequenos empreendedores, que muitas vezes não se sentem representados pelas organizações existentes.
“Nós temos que saber como vamos quebrar essas amarras, esse afastamento. Não é criticando o pequeno empresário, é buscar uma alternativa de motivação para que ele seja bem-vindo e integrado”, afirmou.
Paulo Cavalcanti relacionou essa dificuldade à falta de consciência cidadã e à necessidade de renovação das lideranças. Para ele, a participação dos empresários na gestão das próprias entidades é fundamental para ampliar sua capacidade de influenciar decisões públicas.
“É preciso renovação, alternância de poder, participação”, defendeu, ressaltando que a democracia participativa também depende da organização da sociedade civil e da capacidade de cobrar resultados de seus representantes.
Pequena indústria precisa de incentivo
Fundador do Sindcosmetic, criado em 1997 para representar as indústrias de cosméticos da Bahia, Raul também apresentou sua experiência na organização de pequenas empresas que enfrentavam dificuldades de regularização sanitária e acesso ao mercado.
O empresário, que atua no setor por meio do Laboratório de Cosmetologia Aplicada (LCA), defendeu políticas públicas específicas para estimular a produção industrial baiana, especialmente nos segmentos de bens de consumo.
“A pequena indústria tinha de ter um programa, um projeto de governo, uma política de governo de incentivo”, afirmou.
Raul destacou ainda a importância de aproximar os pequenos fabricantes dos canais de comercialização e de criar espaços de escuta para identificar suas necessidades reais.
Para ele, as entidades precisam abandonar modelos de gestão excessivamente centralizados e ouvir mais os associados. “Ele tem de ser um ouvinte. Eu acho que ele tem de ouvir bastante. E aí o associado se sente importante porque ele está falando”, explicou.
Associativismo e consciência cidadã
Outro ponto de convergência foi a necessidade de ampliar a participação empresarial para além dos interesses individuais. Paulo Cavalcanti defendeu que o empreendedor compreenda sua responsabilidade na construção de um ambiente econômico mais favorável, participando das decisões políticas e do fortalecimento das instituições.
O apresentador também destacou o trabalho da Fundação Paulo Cavalcanti, especialmente o projeto Marsúpio, que acolhe mulheres empreendedoras do Subúrbio Ferroviário de Salvador, oferecendo formação e apoio à formalização de seus negócios.
Raul defendeu que iniciativas dessa natureza sejam ampliadas e conectadas às entidades empresariais, para que os pequenos empreendedores encontrem oportunidades de crescimento e representação.
Ao final, deixou uma mensagem de perseverança aos dirigentes associativistas.
“Não devemos desistir do associativismo. Devemos fazer tudo para incentivar o pequeno e o microempreendedor, seja do comércio, da agricultura, dos serviços ou da indústria, porque a sociedade só cresce, a cidade só cresce, o município só cresce e a família só cresce se todos trabalharem”, concluiu.
Assista ao episódio completo do podcast AQUI.