Em conversa com Paulo Cavalcanti, presidente da ASSESPRO-BA compartilha experiências de superação, destaca a importância da gestão empresarial e defende o associativismo como instrumento de fortalecimento da classe produtiva
Empreender exige mais do que coragem e disposição para trabalhar; é preciso planejamento, conhecimento, capacidade de adaptação e, principalmente, aprender com os próprios erros. Essa foi uma das principais mensagens do empresário Renato Carneiro, fundador e CEO da INOVIT e presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação na Bahia (ASSESPRO-BA), durante sua participação no episódio 114 do podcast É da Nossa Conta, apresentado por Paulo Cavalcanti, que foi ao ar na segunda-feira, 26.
Com 33 anos de trajetória empreendedora, Renato começou aos 16 anos, fabricando e vendendo pizzas brotinho em Salvador. Chegou a comercializar mil unidades em uma semana e, aos 18 anos, comprou seu primeiro carro com o dinheiro do negócio. O crescimento, porém, veio acompanhado de dificuldades financeiras que acabaram levando ao encerramento da atividade.
“Da mesma maneira e velocidade que cresci, eu quebrei”, contou. Segundo ele, a falta de conhecimento sobre capital de giro, fluxo de caixa e gestão de riscos foi determinante para o resultado.
Paulo Cavalcanti aproveitou a experiência para destacar a importância da capacitação dos pequenos empreendedores. “É importante verificar como a gente repete e como é importante um curso como o Sebrae, um curso de capacitação, e como é importante o acolhimento do projeto Marsúpio que a gente está fazendo na Fundação Paulo Cavalcanti junto a mulheres do Subúrbio Ferroviário de Salvador”, afirmou.
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Empresas quebram, pessoas não
A trajetória de Renato inclui experiências no comércio, turismo e tecnologia, até a criação da INOVIT, em 2008, especializada em terceirização de serviços e suporte de tecnologia da informação para empresas, escritórios, clínicas e hospitais.
As dificuldades e os aprendizados acumulados inspiraram o livro “Inquebrável – Empresas quebram; pessoas, não”, no qual o empresário revisita sua trajetória e apresenta reflexões sobre decisões, erros e recomeços.
“Esse nome Inquebrável vem justamente dessa nossa força de continuar, de perseverar. Se eu pudesse voltar no tempo com a experiência que tenho hoje, daria conselhos àquele Renato de trás”, explicou.
Outro aprendizado veio quando percebeu que havia se tornado refém do próprio negócio, trabalhando 12 horas por dia e centralizando decisões. A busca por orientação e mentoria o levou a reorganizar a gestão, delegar responsabilidades e compreender a importância de construir redes de relacionamento.
Associativismo e representação empresarial
Foi nesse processo que Renato criou o grupo Empreendesários, reunindo empresários para compartilhar experiências, dificuldades e soluções. A iniciativa aproximou o empreendedor do associativismo, levando-o à ASSESPRO-BA, entidade que atualmente preside e que reúne cerca de 100 empresas do setor de tecnologia.
“O grupo Empreendesários reuniu empresários para trocar dores, pedir conselhos e superar a solidão do dono, sem foco comercial direto. Ali percebi que o associativismo era o caminho”, destacou.
Durante o podcast, Paulo Cavalcanti defendeu a necessidade de transformar a força econômica da classe produtiva em representação efetiva nas decisões nacionais.
“O associativismo não é clube recreativo, é a defesa da classe contra burocracias, fiscalizações e custos que quebram empresas. Precisamos de união das entidades e de representatividade legítima para defender quem gera emprego e renda no Brasil”, afirmou.
Renato destacou que a ASSESPRO atua nacionalmente em debates sobre tributação de software, proteção de dados, cibersegurança e outras questões que afetam diretamente as empresas de tecnologia.
Educação empreendedora e consciência cidadã
A conversa também abordou a necessidade de estimular a educação empreendedora e a consciência cidadã desde cedo. Para Paulo Cavalcanti, empresários precisam compreender sua responsabilidade para além dos próprios negócios, participando das decisões que afetam a economia e a sociedade.
Renato concordou e defendeu a valorização da função social das empresas, especialmente na geração de empregos, renda e oportunidades.
“Precisamos superar a polarização e humanizar os negócios, entendendo que o empresário cumpre uma função social importante ao gerar empregos e sustentabilidade. Unindo forças e cobrando nossos representantes, fortalecemos a economia e toda a sociedade se beneficia”, afirmou.
Ao final, os participantes também discutiram a possibilidade de levar a experiência e a metodologia de mentoria de Renato às mulheres empreendedoras atendidas pelo projeto Marsúpio, da Fundação Paulo Cavalcanti, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, ampliando o acesso ao conhecimento e às ferramentas de gestão empresarial.
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