A trajetória da União Baiana, primeira equipe de futsal para pessoas com nanismo da Bahia, ganhou destaque no episódio 95 do podcast É da Nossa Conta!, exibido na segunda-feira (8). Apresentado por Paulo Cavalcanti, o programa recebeu o atleta Gabriel Cerqueira e o presidente da Associação Baiana de Futsal de Pessoas com Nanismo, Edson Cerqueira, para uma conversa sobre inclusão, participação social, visibilidade esportiva e os desafios da modalidade no Brasil.
A iniciativa conta com o apoio da Fundação Paulo Cavalcanti e do Movimento Via Cidadã, parceiros do projeto desde seus primeiros passos. Durante a gravação, Gabriel e Edson utilizaram camisas com as logomarcas das duas instituições, simbolizando uma parceria construída em torno de valores como cidadania, inclusão e fortalecimento da sociedade civil.
Primeiro atleta baiano convocado para a Seleção Brasileira de Futsal de Pessoas com Nanismo, Gabriel participou da Copa América disputada no Paraguai e integra o grupo que se prepara para a Copa do Mundo, marcada para novembro de 2026, no Marrocos.
“Foi maravilhoso, uma sensação incrível. Graças a Deus a gente conseguiu o terceiro lugar lá”, afirmou.
Continua após a publicidade / Confira o episódio:
Da seleção brasileira ao nascimento da União Baiana
A participação internacional ajudou a revelar uma realidade enfrentada por muitos atletas com nanismo: a dificuldade de encontrar equipes e oportunidades para competir. A partir dessa percepção nasceu a União Baiana.
“A gente viu uma possibilidade, porque tinha vários atletas que não estavam conseguindo se encaixar nos times e os times já estavam com a lotação máxima. Então eu e meu pai vimos a oportunidade de criar o time aqui da Bahia”, explicou Gabriel.
Segundo Edson Cerqueira, a criação da associação e da equipe surgiu da necessidade de organizar os atletas e ampliar a representatividade do segmento no estado.
“A gente precisa identificar o problema, resolver esse problema e efetivamente trabalhar em cima dele. Foi o que eu fiz. Pensei: como posso resolver isso? Foi quando tive a ideia de fazer a Associação Baiana de Futsal de Pessoas com Nanismo e, dentro da associação, criar o time União Baiana”, relatou.
Os resultados apareceram rapidamente. Com apenas dois meses de existência e pouco tempo de treinamento coletivo, a equipe conquistou o terceiro lugar na Copa do Brasil da modalidade, disputada no Rio de Janeiro.
“Conseguimos o terceiro lugar com 45 minutos de treino e dois meses de criação”, destacou Edson.
Inclusão, cidadania e visibilidade
Ao longo da conversa, Paulo Cavalcanti relacionou a experiência da União Baiana aos princípios da Inteligência Cidadã e à importância da participação social organizada na construção de soluções para desafios coletivos.
“Você precisa expressar a sua vontade no coletivo. A sociedade civil organizada precisa ter voz”, afirmou.
Gabriel também defendeu uma inclusão baseada na convivência e na ocupação dos espaços comuns da sociedade.
“Pessoas que possuem qualquer tipo de deficiência querem se sentir incluídas na sociedade. A gente quer que todo mundo viva numa equidade, viva na mesma sociedade tranquilamente.”
Apesar dos avanços conquistados, a modalidade ainda enfrenta dificuldades para obter recursos e ampliar sua visibilidade. A preparação para a Copa do Mundo de 2026 é hoje um dos principais desafios da associação e dos atletas.
“O Brasil só precisa de apoio. Atletas de qualidade nós temos. Tem mais de 500 atletas”, observou Gabriel.
Encerrando o episódio, o atleta destacou a importância de acreditar nos próprios sonhos e ocupar espaços que historicamente foram negados a muitas pessoas com deficiência.
“Você tem que aparecer, ocupar seu espaço. Se você não ocupar o seu espaço, você não vai ter aquela conquista que sempre sonhou. Meu sonho era ser jogador de futebol e hoje sou atleta da seleção brasileira.”
O episódio 95 do podcast É da Nossa Conta! pode ser conferido na íntegra nos canais digitais da Fundação Paulo Cavalcanti.