É da nossa conta! recebe Arthur Sampaio: o despertar do “Quinto Poder” e a força do associativismo na Bahia

Por: Movimento Via Cidadã

23/04/2026

Compartilhe nas redes sociais

O cenário não poderia ser mais emblemático: a Associação Comercial da Bahia (ACB), a “casa do empresário” e historicamente conhecida como uma “casa de pressão”. Foi nesse ambiente que o podcast “É da Nossa Conta” recebeu Arthur Guimarães Sampaio, uma das figuras mais proeminentes do associativismo baiano, com passagens pela presidência da Junta Comercial da Bahia, da CDL Salvador, Rotary Clube da Bahia e Fundação Casa de Jorge Amado.

O diálogo, marcado pela experiência de Sampaio e pelo entusiasmo de Paulo, girou em torno do conceito central do programa: a consciência cidadã participativa como motor de transformação.

A classe produtiva como o Quinto Poder

Um dos pontos altos da entrevista foi a provocação de Paulo sobre o papel do empresariado na estrutura democrática. Ele defende que a classe produtiva deve se enxergar como o “Quinto Poder” da República, ao lado do Legislativo, Executivo, Judiciário e da Imprensa. Para o apresentador, existe uma “baixa estima cidadã” que fragmenta aqueles que sustentam o Estado através dos impostos.

“Nós temos um quinto poder adormecido que é quem produz a riqueza desse país, que sustenta os mantenedores, que paga os impostos… e é fragmentado e não se entende dessa forma”, afirmou Paulo durante o episódio. Ele ressaltou que, se os 16 milhões de associados às grandes confederações brasileiras agissem com convergência, teriam uma força política inigualável para ditar pautas estruturantes.

Continua após a publicidade / Confira o episódio

O papel da sociedade civil organizada

Arthur Sampaio, aos 80 anos, trouxe a voz da experiência para validar essa tese. Ele não apenas acredita na transformação da nação, como tem certeza de que ela passa pela união das entidades. Para o empresário, o momento atual da Bahia é extraordinário, com lideranças novas e dispostas ao diálogo em instituições como a Fieb, Fecomércio e o próprio Sebrae.

“Eu digo desde sempre que o que segura esse país é a sociedade civil organizada”, pontuou Sampaio. Ele enfatizou a necessidade de deixar as vaidades e os “estrelismos” de lado em prol do coletivo: “Vamos deixar as veleidades de lado… Vamos juntar forças. O seu lado é o nosso lado”.

A história e o legado do Sistema S

A conversa também mergulhou na história para explicar a importância da independência empresarial. Sampaio relembrou a criação do Sistema S na década de 30, destacando que a iniciativa partiu dos próprios empresários que se ofereceram para financiar a formação dos trabalhadores sem depender de verbas governamentais.

Citando Roberto Simonsen, Sampaio lembrou a postura altiva da época: “Mas nós não estamos pedindo dinheiro ao senhor não… Esse dinheiro nós vamos pagar, nós vamos pagar um percentual do que o nosso operário ganha”.

Essa autonomia, contudo, exige vigilância constante contra interferências políticas. Sampaio ressaltou que a luta para manter a transparência e a finalidade dessas instituições é diária.

Raízes, cultura e os desafios da infraestrutura

Além do foco empresarial, o episódio trouxe nuances biográficas emocionantes. Sampaio recordou seus antepassados, como o avô italiano que chegou ao Brasil fugindo da fome e a mãe, Norma Guimarães Sampaio. Recordou ainda de dona Aldair, mãe de Paulo Cavalcanti, que classificou como uma “mulher retada” que foi professora e vereadora em Ituberá na década de 50, enfrentando preconceitos da época.

Ele também detalhou sua amizade de longa data com Jorge Amado, revelando bastidores da criação da fundação que protege o acervo do escritor na Bahia.

No entanto, o tom de celebração deu lugar à indignação ao tratarem da infraestrutura baiana. Paulo e Arthur criticaram duramente o retrocesso na aviação regional, mencionando a dificuldade de voos para o interior, como Vitória da Conquista e Barreiras.

“Acreditar que vai ser o Estado que vai fazer as coisas e não fazem… O Estado somos nós”, disparou Paulo, reforçando que o empresariado precisa exigir condições mínimas de logística para produzir.

Uma “loucura” necessária

Ao final, o episódio deixou uma mensagem de encorajamento. Sampaio alertou Paulo sobre os rótulos que um homem público recebe, sendo o de “maluco” o primeiro deles. Mas ambos concordaram que essa é uma “loucura” produtiva, baseada na verdade e na recusa em ser um “sepulcro caiado” — alguém que mantém as aparências, mas carece de essência.

“A gente precisa ser normal, acreditar que ninguém é melhor do que ninguém, mas unidos, juntos, acreditando que o que a gente quer é o melhor para todos”, concluiu Arthur Sampaio, selando o compromisso com um associativismo forte e transformador.