É da nossa conta! com Pablo Reis: cidadania, produção e educação política

Por: Movimento Via Cidadã

21/01/2026

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No episódio desta segunda-feira (19) do podcast É da nossa conta!, Paulo Cavalcanti recebeu o jornalista Pablo Reis para uma conversa de caráter republicano sobre cidadania, função social da empresa, cultura política e educação cívica. Sem tom eleitoral ou retórico, o diálogo buscou analisar problemas estruturais da democracia brasileira e o papel da sociedade civil nesse processo.

Atualmente à frente do Aratu Notícias, na TV Aratu, e do programa Linha de Frente, na Rádio Antena 1, Pablo Reis destacou a consistência do debate proposto por Cavalcanti desde a pandemia, quando ambos dividiram espaço no Liga da Madrugada.

“Ainda hoje, a maioria dos brasileiros não sabe o que é consciência cidadã, não conhece a Constituição nem entende como funciona o sistema político brasileiro”, afirmou o jornalista.

Ao longo do episódio, Paulo Cavalcanti defendeu que a fragilidade da democracia brasileira está diretamente ligada à ausência de educação cívica.

“Não aprendemos o que é pacto social nem o que significa viver em um condomínio chamado Brasil. Reclamamos muito e participamos pouco”, disse.

Confira o episódio:

Como aponta Cavalcanti, o distanciamento do cidadão das instâncias de decisão contribui para a transferência permanente de responsabilidade ao Estado, sem cobrança efetiva por resultados.

A função social da empresa e a relação entre produção e cidadania também foram centrais na conversa. Pablo Reis criticou a narrativa que associa o setor produtivo a privilégios ou exploração.

“Quem sustenta o país paga imposto, gera emprego e, ainda assim, é tratado como inimigo”, afirmou.

Cavalcanti ampliou o argumento ao lembrar que todos os brasileiros, independentemente de renda, financiam o Estado por meio da carga tributária embutida no consumo.

“Consciência cidadã é entender quanto se paga e exigir serviços públicos eficientes em troca”, disse.

O episódio abordou ainda os efeitos da polarização política sobre o debate público. Para os dois, a personalização excessiva da política e a lógica do confronto emocional substituíram a discussão de propostas e resultados.

“A democracia se fragiliza quando decisões são tomadas pelo impulso, não pela análise”, afirmou Cavalcanti, ao defender maior maturidade política e educação crítica da população.

No campo econômico, a conversa incluiu comparações internacionais e críticas à desvalorização da indústria nacional e da moeda brasileira. Pablo Reis citou dados sobre arrecadação e baixa eficiência do gasto público, enquanto Cavalcanti defendeu maior engajamento do setor produtivo na defesa institucional da economia e na valorização de quem gera riqueza.

Ao final, ambos reforçaram a necessidade de um jornalismo mais analítico e menos binário.

“Ser isento sempre foi um objetivo do jornalismo. Se hoje isso incomoda, é sinal de que o debate está empobrecido”, disse Pablo.

Cavalcanti concluiu destacando que participação cidadã exige responsabilidade contínua, não apenas o ato do voto.